Rosy e Patricia, do Bazar Ógente

Rosy e Patricia, do Bazar Ógente

(Publicado originalmente em  01/04/2014)

Na semana passada fui conversar com a Rosy e com a Patricia, do Bazar Ógente, que acontece periodicamente em SP. O papo foi ótimo porque existe um grande paralelo que pode ser feito entre o Ógente e o DescubraSP.

As duas iniciativas começaram para dar espaço ao pequeno produtor, o artesanal, o independente, o alternativo. ODescubraSP de forma genérica, indo da gastronomia até as artes, o Ógente para estruturar um lugar de exposição e venda de produtos feitos no modelo do DIY e do craft.

O ideário do DIY e do craft passa pelo reaproveitamento de materiais, pela diminuição do impacto do homem no planeta, pelo trabalho manual em contraponto ao industrialismo, da realização pessoal através de uma atividade manual.

Hoje temos alguns exemplos de produtores que, dentro desses conceitos, de alguma forma visitam o início do movimentoArts and Crafts, do século XIX, e sua visão de que não se pode separar as artes visuais das artes aplicadas.

Nosso papo foi assim:

P: Como que começou o Bazar Ógente?

Patricia: Começou como a vontade de fazermos trabalhos manuais. Como uma grande parte dos expositores são designers e passam a maior parte do tempo em frente do computador, existe essa vontade de fazer algo que saia do virtual. Como uma necessidade de dar vazão a essa criatividade. E isso em diversas áreas, tem gente que gosta de tecido, tem quem goste de papel, de cozinhar…

Rosy: Por algum tempo eu também fiz alguns produtos e, após passar um tempo morando fora, tinha muita vontade de reencontrar os amigos. Todos estavam, de uma forma ou de outra, ligados a essa produção artesanal, foi uma questão de juntar o útil ao agradável. Mas como minhas habilidades são mais criativas do que manuais, o encontro com a Patricia foi providencial, já que podemos fazer uma divisão dos trabalhos para realização do Bazar.

P: E como fica então a organização do Bazar?

Rosy: Ao longo do ano, fica somente com nós duas, mas no dia do Bazar escalamos vários amigos para ajudar. Eu tenho uma cabeça mais organizacional e voltada para a comunicação, a Patricia, por ter a sua própria marca e a visão de quem também vai expor, tem uma cabeça mais voltada para o pontual.

Patricia: E somos muito amigas, então o trabalho realmente se complementa. Tanto que isso possibilita o trabalho à distância, sem stress e com muita tranquilidade.

Rosy: Sintonia é a palavra chave.


P: Como é o futuro do Bazar para vocês? Como se concilia com os trabalhos e atividades de vocês?

Rosy: Definitivamente a vontade é que o Bazar se torne nosso plano A.

Patricia: Mas nós temos sim a necessidade de manter nossos trabalhos, seja como freelancers e autônomas, seja como a Rosy que ainda é diretora de arte em uma editora, afinal temos aí as nossas contas para pagar. E acima de tudo é respeitar muito o nosso tempo e o tempo do mercado. Ainda é nova a concepção desses produtos, existe sim uma demanda por produtos artesanais de qualidade, mas a percepção de valor desse trabalho ainda não é comum para boa parte da população.

Rosy: Nós já passamos por momentos de pensar se era hora de dar uns passos maiores, mas somos muito pé no chão, avaliamos o crescimento e vimos que ainda não era hora.

Patricia: Ainda não há demanda de público, como já existe em bazares nos EUA, que acontecem mensalmente, alguns com até 300 expositores.

P: Como se conceitualiza o Bazar?

Patricia: A primeira coisa que a gente quis foi sair do estereótipo da feirinha de artesanato, daquelas que toda cidade do litoral tem, em que todos os produtos são mais ou menos parecidos e tem a mesma cara desde que começaram. O que a gente queria era pegar aquilo que era o artesanato da vovó e reinventar, seja usando uma técnica antiga para fazer algo contemporâneo ou, no caminho oposto, pegar uma tecnologia nova para um processo antigo.

Rosy: Isso que a Patricia falou, de que todos querem se expressar, leva a uma pesquisa, porque nem todo mundo tem tempo para fazer cursos e tal, muitos acabam pesquisando na internet e adequando às próprias possibilidade e limitações, o que faz com que exerçam sua criatividade, dando margem à criações que são únicas.

P: É um novo mercado no Brasil?

Patricia: Sim, no geral é. Então as pessoas estão descobrindo como fazer, não só a questão da técnica, mas na questão do empreendimento. Muitos acabam largando seus empregos formais para se dedicar a isso, e precisam entender que além da técnica existem questões práticas, a comunicação, a criação da marca, as finanças, e é nesses meandros que alguns se perdem.

Rosy: O que é legal é que já existem oficinas e workshops que estão ensinando não só o “fazer” como também esses aspectos práticos, como montar seu stand, como vender na internet. Os market places, por exemplo, fomentam demais a profissionalização e já existem consultorias que estão se espcializando em aconselhar os empreendedores desse nicho específico.

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P: São Paulo é ainda uma referência para esse tipo de produção?

Patricia: Sim, só que tem muita gente fazendo no Rio e no sul também. Mas o público de São Paulo ainda é o que está mais aberto para esse tipo de produto. Então as maiores feiras e bazares estão aqui em SP. Inclusive feiras voltadas para o atacado. O público de São Paulo já consegue entender a diferença e valorizar o trabalho manual.

Rosy: Isso acontece também porque aqui em São Paulo temos acesso muito fácil a matéria prima. É só andar pela 25 de Março que conseguimos comprar muitos insumos. Alguém quer um papel especial, por exemplo, vai encontrar lojas pela cidade.

P: E pessoalmente, quando não estão cuidando do Bazar, o que vocês gostam de procurar?

Rosy: Além de comida? (risos)

Patricia: Por ser uma coisa nossa, então nós ficamos com as antenas ligadas 24 horas por dia e sempre procurando novidades. Gostamos de ir atrás da riqueza cultural tanto quanto das novidades.

Rosy: Nós temos gosto muito parecido. Eu particularmente gosto muito de buscar objetos.

Patricia: Mas se vemos uma portinha escondida e parece que tem alguém vendendo alguma coisa lá, entramos sempre, e nessas já conhecemos muita gente legal e muitos produtos interessantes.

Rosy: A gente costuma dizer o santo do Bazar é forte!

P: Prá fechar, quais são as dicas de vocês para descobrirmos em São Paulo?

Patricia: Para mim sem dúvida é andar pela 25 de Março, entrar nas lojas de aviamentos, tecidos e matéria prima em geral para crafts. Depois uma parada para esfiha no Raful e, antes de ir embora, docinho português na Casa Mathilde.

Rosy: Tem que conhecer o Drosophyla, um restaurante com um lindo jardim onde aconteceu o Bazar Ógente 2. E tem que conhecer também a Eglair da Madame Trapo que dá aula no Sesc Pompeia.

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Tiago Barizon

Tiago Barizon é produtor executivo e artístico, por profissão, com mais de 15 anos de experiência no mercado cultural e corporativo. Também é redator, cozinheiro e músico, por opção, já faz vinte anos. Iniciou o DescubraSP para compartilhar o resultado de suas andanças por São Paulo.