Mocotó, restaurante e cachaçaria no extremo norte da cidade

Mocotó, restaurante e cachaçaria no extremo norte da cidade

(Publicado originalmente em 11/03/2014)

SP e trânsito, uma luta constante. A partir de agora nossas postagens vão explorar não só os locais e programas que merecem ser descobertos, mas também a questão da mobilidade na cidade. Sempre que possível, vamos dar a dica de como deixar seu carro em casa e aproveitar a cidade.

No último domingo tiramos da nossa “to do list” um restaurante que figurava nessa mesma lista quando o DescubraSP era somente uma ideia germinando em algum canto do meu cérebro, o Mocotó, no extremo norte da cidade.


(Crédito das fotos: Gourmandisme, Estadão, Café Viagem e Sil-Vinhas)

Ir até o Mocotó já é por si só uma experiência que vale a pena. Localizado na Vila Medeiros, é um canto pouco explorado da cidade e formado principalmente e quase em sua totalidade por residências e o comércio e serviço voltados para quem mora por lá mesmo.

O Mocotó começou assim, em 1973, como a “Casa do Norte Irmãos Almeida”, ainda na Vila Aurora, uma sociedade entre o Sr. José Oliveira de Almeida, natural de Mulungu no sertão pernambucano, e dois irmãos. Um ano depois “Seu Zé Almeida” foi abrir seu próprio bar, agora sim na Vila Medeiros, que também vendia produtos típicos do nordeste, e o sucesso do caldo de mocotó começou. Cinco anos depois, em 1979, se viram obrigados a abrir uma filial, bem em frente ao primeiro estabelecimento, que já não comportava tanta gente se amontoando para experimentar as refeições que eram servidas.

Os dois estabelecimentos funcionaram até 1994, quando a Casa do Norte foi fechada para se dedicarem exclusivamente às refeições.

E agora estamos em 2014, quase 40 anos de história. Fomos lá conferir o motivo.

DICA DE TRANSPORTE: Não vá de carro, sérião! Principalmente se você mora longe da zona norte. É muito mais fácil pegar o metrô (Linha Azul até a estação Tucuruvi), pegar na porta da estação (literalmente) a linha 121G/10 e pedir para o motorista avisar quando estiver chegando no Mocotó. Você vai descer no ponto, atravessar a rua e chegar no restaurante. Da Aclimação até o Mocotó levamos pouco mais de 30 minutos e pudemos aproveitar as caipirinhas, cachaças e cervejas sem peso na consciência.

DICA DO AMIGO: Já que quem avisa, amigo é. Se você for durante o final de semana e não quiser enfrentar fila, se programe para chegar no máximo 11h30, mesmo sabendo que o restaurante vai abrir somente ao meio dia. Chegar depois de 12h30 pode significar até 3 horas de fila em um dia movimentado. Mas mesmo quem já passou por isso diz que vale muito a pena a espera.

O que chamou a atenção antes mesmo de entrar na casa foi a organização e eficiência da equipe. Ainda antes de abrir o Mocotó uma atendente passa ao longo da fila perguntando quantas pessoas em cada mesa. No nosso caso estávamos em dois, aguardando mais dois. Ela já explica: “Se chegar a vez do senhor e o outro casal ainda não tiver chegado, vamos pedir que o senhor aguarde e assim que chegarem a primeira mesa para quatro pessoas é liberada para vocês”. Justíssimo!

Ao abrir, a casa já está arrumada para a primeira leva de clientes, cada mesa que entra é acompanhada por um garçom que indica onde se sentarão e vai atender ao longo da refeição.


A gente já foi com algumas dicas então a primeira coisa que fizemos foi pedir para a entrada uma porção de Dadinhos de Tapioca (cubos da tapioca com queijo de coalho dourados e servidos com molho de pimenta agridoce, R$19,90 porção com 12 unidades) e o torresmo petisco (R$ 4,90 a unidade, que na verdade são alguns torresmos). Tem também o torresminho, que é vendido como porção e é mais parecido com o que normalmente vemos, mais sequinho e crocante. Mas vai no petisco, vai por mim, vai na fé.

No cardápio, lá estava ele, o Caju Amigo! Minha decepção, não tinha caju… Então fomos deCaipirinha de Verão (cachaça, cajá, tangerina e manjericão, R$16,90), um suco de cupuaçu e um de umbu. Aqui vale uma nota importantíssima. Ao longo dos anos, em todos os lugares que fui em que tinham uma boa carta de cachaças, perguntei pela Mercedes, uma cachaça goiana envelhecida no Pau-Brasil, mas sem sucesso. Até esse domingo, tomei uma dose no Mocotó. =)

Hora de ir para os pratos principais, pedimos uma Peixadinha do São Francisco (pintado no molho de coco com tomatinho, cebola pérola e pimenta cambuci, servida com mix de arroz e farofa crocante de castanha e coco queimado, R$39,90), Carne-de-Sol Assada (carne-de-sol artesanal na brasa, servida com manteiga-de-garrafa, alho assado, pimenta biquinho e chips de mandioca, R$38,90) e um Baião-de-Dois (R$ 17,90, o pequeno).

Quando as entradas e os pratos chegaram na mesa fica claro que, apesar de se tratar de um restaurante típico de comida nordestina, eles tem um toque moderno. As quantidades não são gigantescas, para o tanto que pedimos deu muito bem para todos (os quatro) saírem satisfeitos. Em alguns outros restaurantes nordestinos cada um ainda levaria sua quentinha para casa. Tem quase uma pegada gourmet, resultado da influência do filho do Seu Zé, Rodrigo Oliveira, que há cinco anos comanda o restaurante, é formado em gastronomia e pesquisou novos ingredientes e novas técnicas para os pratos servidos no Mocotó.


Todos os pratos estavam deliciosos, foi difícil deixar alguma coisa nas tigelas. nem mesmo os caldinhos que, na falta de arroz, que já tinha acabado, foram transformados num pseudo-pirão com a farinha que estava na mesa. Os sabores não brigam entre si, tudo muito equilibrado, com ingredientes selecionados a dedo. E, também ao contrário de alguns outros restaurantes da mesma linha, ao acabar a refeição não nos sentíamos nem um pouco estufados ou pesados. O baião estava com um tempero que eu dificilmente vou encontrar de novo…

Ainda conseguimos guardar espaço para a sobremesa. E junto uma surpresa. O garçom veio me avisar que tinha chegado caju, se eu não queria pedir então um Caju Amigo. ÓBVIO! R$16,90, muito bem investidos!

Pedimos também um Crème Brûlée de Doce de Leite e Umburama (R$12,90) e um Bolo de Chocolate com Cupuaçu e Castanha-do-Pará (R$12,90, servido com uma bola de sorvete artesanal de nata). Eu, que não sou muito formigão, se pudesse estava comendo o crème brûlée até agora. E muito bom ver como conseguiram equilibrar o sabor do cupuaçu no bolo. Quem já experimentou qualquer receita de chocolate com cupuaçu sabe a dificuldade de fazer com que o sabor da fruta não domine o prato.

Fechamos com um cafezinho da Fazendo Pessegueiro e fomos embora contentes, nos prometendo para breve um retorno, já que se faz necessário percorrer mais as outras opções do cardápio!

Mocotó Restaurante e Cachaçaria
Rua Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros – São Paulo/SP
De segunda à sábado, das 12h às 23h
Domingo, das 12h às 17h
Info: Fone: (11) 2951-3056 / contato@mocoto.com.br

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Tiago Barizon

Tiago Barizon é produtor executivo e artístico, por profissão, com mais de 15 anos de experiência no mercado cultural e corporativo. Também é redator, cozinheiro e músico, por opção, já faz vinte anos. Iniciou o DescubraSP para compartilhar o resultado de suas andanças por São Paulo.