Cozinha Efêmera reúne alimentação sustentável e degustação de vinhos em jantar harmonizado

Cozinha Efêmera reúne alimentação sustentável e degustação de vinhos em jantar harmonizado

(Publicado originalmente em 28/02/2014)

Existem dois fenômenos muito interessantes acontecendo, não só em SP mas em diversas cidades, do Brasil e do mundo. Um grupo cada vez maior de pessoas tem procurado conciliar bem estar com sustentabilidade financeira, encarando trabalhos que lhes dêem não só a recompensa material como também paz de espírito na hora de colocar a cabeça no travesseiro. E não necessariamente por consequência de apoiar alguma causa, mas primeiramente por estarem de bem consigo mesmas.

Em segundo lugar, as pessoas estão mais dispostas a abrirem suas casas. Lembra do tempo que nossos pais falavam, saudosos, que podiam deixar as portas abertas da casa sem medo? Como em algumas cidades do interior, que vamos entrando sem muita cerimônia na casa dos amigos. Uma versão mais legal do facebook. Pelo menos é praticamente certo que você não vai ver um meme de gatinho na parede da sala.

Quando esses dois fenômenos acontecem juntos, muita coisa legal se cria. É o caso do jantar que acompanhamos ontem, organizado por Silvia Corbucci, da Cozinha Efêmera, e por Patricia Brentzel, sommelière. Nesses jantares, que acontecem uma vez por mês, mas sem data certa, sem comprometimento prévio, um dos pontos que se destacam é a importância equilibrada da chef e da sommelière, que dividem 50/50 as funções e o foco das atenções, como colocou o consultor François Bartholin, que morou por quatro anos no Brasil e agora está de volta à França. “É bom ver que a pessoa que vai falar sobre os vinhos está no mesmo ‘nível’ do chef, porque muitas vezes o vinho fica como coadjuvante em jantares como esse”, complementa.


Lugar comum realmente não passa nem perto do jantar, que serve no máximo 20 pessoas por evento. Pelo menos os que acontecem na casa de Silvia, já que ela faz eventos corporativos e festas para mais de 100 pessoas. Seus cardápios são voltados para a gastronomia sustentável, orgânica e de conscientização, com inspiração na culinária crudívora.

Seus pratos são criados com ingredientes da estação, de pequenos produtores ou que ela mesma colhe, seja na sua horta, seja em algum sítio. A ordem é sentir o sabor do alimento. Uma quebra na rotina de quem passa o dia a dia na cidade, muitas vezes sem a opção de uma alimentação mais saudável.

Essa quebra na rotina é o que fez Denise Cussioli e Geraldo Gonçalves procurarem o jantar, além da informalidade do evento. Sem esquecer, obviamente, a qualidade dos pratos. “Estamos cansados daquele ambiente em que parece que o maître quer a todo custo nos colocar prá fora do restaurante, liberar uma mesa, e colocar os próximos na fila. Aqui parece que estamos em casa.”

O jantar que acompanhamos foi composto por entrada, salada, prato principal e sobremesa.


A entrada foi um pão de fermentação natural com pasta de tomates e cambucis. Digo o seguinte, se você nunca experimentou um pão de fermentação natural, está na hora. Para quem já gosta de pão, é inimaginável o quanto de sabor que ainda pode existir em uma fatia.

A salada amarela veio na sequência, preparada com pimentão amarelo, manga, côco e coentro, acompanhada de uma porção de broto de alfafa. Mais uma combinação incrivelmente acertada para colocar na lista “Como Surpreender os Amigos no Jantar de Casa”.

O prato principal tinha steak de shitake – o mais saboroso que eu já comi até hoje -, acompanhado de couscous de couve-flor e legumes, e uma saladinha de rúcula com molho de mostarda.

A sobremesa, um bolo sem glúten com recheio de goiaba com limão e sorbet de morango. Além de gostoso a apresentação estava linda!

Junto com cada prato Silvia e Patricia iam de mesa em mesa falando sobre os pratos e os vinhos servidos. Vinhos que foram também um bocado de sabor e aprendizado em cada taça servida. Para a entrada ela serviu um Crémant de Bordeaux, Ballarin, que é um rose espumante. Perfeito para iniciar os serviços!

Para a salada foi a vez de um italiano, o pinot grigio Villa Chiopris. Para o prato principal um argentino, o pinot noir Mendocino. Esses dois vinhos deram vontade de me inscrever imediatamente em algum dos cursos ou viagens de enoturismo oferecidos pela Patricia. Mas sobre isso vamos conversar melhor com ela para um post futuro.

Aí para a sobremesa, um late harvest chileno de chardonay, Lujuria. Perfeito esse nome.


Acabado o jantar percebi que o objetivo das duas anfitriãs tinha sido alcançado. Todos saíram satisfeitos não só com o programa mas com suas implicações: se socializar, encontrar pessoas que compartilham os mesmos interesses, despertar a curiosidade para conhecer mais sobre a alimentação consciente e sobre os vinhos.

Em algum momento ouvi a Silvia comentando algo como “a minha cozinha é assim, espontânea”. Achei perfeito. A efemeridade está no nome, mas a espontaneidade surge ao colocar os pés dentro da casa que recebeu a todos tão bem.

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Tiago Barizon

Tiago Barizon é produtor executivo e artístico, por profissão, com mais de 15 anos de experiência no mercado cultural e corporativo. Também é redator, cozinheiro e músico, por opção, já faz vinte anos. Iniciou o DescubraSP para compartilhar o resultado de suas andanças por São Paulo.